Quando a Indiferença Vira Hábito
- 3 de mai.
- 2 min de leitura
BOM DIA!

A apatia não chega fazendo barulho.
Ela não bate à porta. Entra pela fresta da janela, senta no sofá e fica. Deixa o chinelo no meio da sala e o controle remoto em cima da nossa vontade.
Tem um talento silencioso: transforma terremotos em marolas.
Escândalos? Um bocejo.
Problemas reais? Troca de canal.
Pessoas se afastando? “Depois eu vejo isso”.
A apatia não grita. Ela sussurra:
“Pra quê?”
E, de tanto repetir, a gente começa a acreditar.
Outro dia vi uma cena simples, mas incômoda.
Chovia. A calçada já era quase um rio. No meio dela, um cachorro velho tremia de frio.
Um homem no ponto de ônibus olhou.
Olhou o relógio.
Olhou o celular.
Olhou o cachorro como quem olha um poste.
O ônibus chegou. Ele entrou.
O cachorro ficou.
A chuva também.
E eu, que só observei, percebi algo desconfortável:
eu era o terceiro homem da cena.
O que não foi embora…
mas também não fez nada.
A apatia gosta disso.
De plateia.
Ela nos convence de que neutralidade é sabedoria. Que não se envolver é proteção. Mas não é.
A apatia não protege.
Ela corrói.
Começa pequena, num “hoje não dá”.
Depois toma conta de tudo.
Um dia você tenta reagir… e percebe que já não sente como antes.
O antídoto não é heroísmo.
É decisão.
Decisão de não aceitar o automático.
De não normalizar o indiferente.
De não assistir a vida como espectador.
É levantar quando seria mais fácil ficar.
É agir quando seria mais confortável ignorar.
É escolher sentir - mesmo sabendo que sentir cansa.
Porque não sentir… enferruja.
Hoje, quando a apatia vier com aquela voz mansa dizendo “deixa pra lá”, responda com outra pergunta:
“E se eu não deixar?”
Talvez você não mude o mundo.
Mas muda o seu lugar nele.
E quem muda de posição… já não vê a vida da mesma forma.
O ditado pode até soar simples e até irritante; mas continua sendo verdadeiro:
levanta, sacode a poeira e vai.
Porque viver exige movimento.
E quem para… enferruja.
Gratidão sempre.



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