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Chácara Folie: Onde a Alma Fez Morada

  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

BOM DIA!


Casal contempla mansão de vidro integrada ao cerrado ao pôr do sol, simbolizando paz, pertencimento e recomeço.

Tudo começou quando acabou.


Acabou o asfalto, acabou o barulho, acabou a vida com vista pra pressa dos outros. Saímos da rua. Largamos o concreto pra trás e mudamos pro mato.


Entregamos nossa casa antiga com um nó na garganta e um clima pesado na calçada. Era só mato do lado de cá. Um emaranhado de árvores caladas, um pedaço de terra esquecido pelo mundo, guardando segredo.

Mas a gente viu diferente.


Com as mãos vazias de dinheiro e o peito transbordando coragem, erguemos nossa casinha amarela. E no instante em que a tinta secou, o mato se curvou em reverência: nasceu um brilho sem igual. Não era só cor na parede. Era o sol aprendendo o nosso nome. Era recomeço soprando no vento. Era paz invadindo o ar, o espírito e cada fresta daquele chão.


Construímos sem grana, mas com o coração como alicerce. E sabe o que aconteceu? Depois de mudar da cidade para a casa amarela, um dia olhamos pra ela e entendemos: era hora de ir além. Demolimos a casa amarela e fizemos mansão de vidro. NOSSA CASA, NOSSO MUNDO.


Não de mármore ou ouro, mas de transparência. Pra luz entrar sem pedir licença. Pra gente ver a chuva cair de dentro, pra alma ficar exposta ao céu, sem medo.


Uma mansão de alma. O nosso lar. Aquele lugar onde todo mundo quer estar sem saber explicar por quê.


Aqui a beleza não está nos lustres. Está no jeito que o vento decifra as árvores que antes eram só mato. Está no silêncio que costura a gente por dentro, na energia fenomenal que desata os nós do peito com um único suspiro.


Batizamos de Folie. Que é aquela loucura mansa que só o amor explica. É o nome que a gente dá quando o coração pula na frente da razão e acerta. Folie é o beijo roubado do medo. É ter a ousadia doce de trocar certeza por encanto, de chamar de casa um sonho que ainda nem tinha porta. É a loucura de dois que decidiram que amor também é alicerce, e que lar é onde a gente se escolhe todo dia.


É, na verdade, Parque dos Anjos. Porque é aqui que eles tiram as sandálias e descansam enquanto cumprem missão na terra. É aqui que a gente respira fundo e a terra devolve: "lembra quem você é". Lugar que dá vontade de chegar antes mesmo de sair. Que chama pelo nome quando o corpo está longe.


Pode-se andar o mundo inteiro. Colecionar carimbos no passaporte, provar o sal de outros mares, a poeira de outros desertos, o frio da neve. Mas a verdade é esta, sussurrada pelo mato: esse é o nosso lugar.


Chácara Folie.


Não é endereço. É destino escrito em raiz.

Não é propriedade. É pertencimento com cheiro de terra molhada.

É o pedaço de chão onde quero viver cada nascer do sol que me restar... até o último entardecer me levar.


Porque tem casas que a gente mora. E tem casas que, feito oração, moram na gente. Saímos da rua. E o mato nos deu um palácio. Doce folie. A nossa, pra sempre.

NOSSA CASA NOSSO MUNDO.


Gratidão sempre

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