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Quando a Força Vira Isolamento

  • 23 de abr.
  • 2 min de leitura

BOM DIA!


Pessoa isolada por uma barreira invisível enquanto outras estendem ajuda, simbolizando força que virou isolamento e dificuldade de se abrir.

Sustentar tudo sozinho parece bravura. Mas às vezes é só a armadura que a alma vestiu para não sangrar.


Nem sempre o silêncio diante do pedido é fortaleza.

Quase sempre é memória.


Há quem tenha aprendido cedo a ser casa de si. Não por escolha, mas porque a porta se fechou quando a mão pediu abrigo. Veio o vazio, o dedo em riste, a indiferença fria. E a pele decorou a lição.


O instinto se adianta à razão.

O corpo grava antes que o pensamento entenda.


Com o tempo, costura-se um voto íntimo: não pesar, não se abrir, não estender a mão. A pessoa segue, ergue, suporta. Aos olhos do mundo, autonomia. Por dentro, trincheira. Um modo polido de se proteger do corte.

Outro dia, vi o cansaço morando nos ombros de alguém querido. Pilhas de decisões, noites curtas, o mundo inteiro nas costas. Perguntei por que não repartia o peso. A resposta veio como reflexo: “eu resolvo”.


Não era altivez. Era calo.


Conversando, ficou nítido: o amparo existia. Mas a ponte até ele tinha sido dinamitada há muito tempo. Pedir ajuda virou idioma esquecido, mesmo com tradutor na sala.


E isso é mais comum que chuva em abril.


A pessoa se faz muralha. Resolve, entrega, sustenta. Só que por dentro acumula tempestade. O corpo tensiona, o afeto se recolhe, e ela arrasta sozinha um peso que era pra ser de muitos.


Carlos me vem à mente. No trabalho é rocha. Aceita a demanda, apaga o fogo, honra o prazo. Até o dia em que o prazo o venceu. Não por falta de braço. Por excesso de mar. Quando perguntaram, respondeu sem pensar: “achei que dava conta”. Não era certeza. Era o costume antigo de remar sem pedir remo.


Pedir ajuda não te apaga.

Te reescreve com mais espaço.


Dizer “não posso com tudo” não é derrota. É sabedoria que abre a janela. É dividir a sacola pra mão não doer e o passo não parar.


Porque, no fim, a vida não cobra que a gente dê conta do universo. Só pede que a gente tenha fôlego pra continuar atravessando ele.

NÃO SE ISOLE EM MEIO A AMIGOS QUE QUEREM DIVIDIR A SUA DOR.


Gratidão Sempre

2 comentários

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Edna Pinato
26 de abr.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Eu sou assim, tal qual...

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Edna Pinato
25 de abr.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Quanta sabedoria!!!

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