O Vasinho
BOM DIA!

Foi assim que Dona Lúcia me recebeu hoje às sete da manhã, com o portão já aberto.
Ela estava na varanda, de regador na mão, cuidando de um vasinho de manjericão que cabe na palma da mão. Um vasinho de plástico barato, nada que chamasse atenção de quem passa correndo na rua.
Mas pra ela, era um acontecimento.
"Olha como ele cresceu de ontem pra hoje", ela disse, com um orgulho que era de mãe.
Eu olhei. Pra mim era só um matinho. Pra ela, era o motivo do sorriso antes do café.
E entendi o seu texto todo ali.
A gente passa a vida esperando que os outros validem o que nos faz feliz. Que achem bonito o nosso vasinho, importante o nosso sonho pequeno, grandioso o nosso jeito de amar. Só que o mundo nem sempre tem o mesmo olho que a gente tem.
Dona Lúcia não precisa que eu ache o manjericão dela lindo. Ela romantiza a própria vida. Não é ilusão, não é fuga. É escolha.
É escolher ver beleza mesmo quando a conta chega, quando a coluna dói, quando a vida pesa. É entender que a vida pode ser difícil, sim, mas também pode ser doce. Pode ser leve. Pode ter o cheiro do manjericão fresco às sete da manhã.
Ela molha a planta todos os dias como quem agradece. E quanto mais agradece, mais ela percebe. Quanto mais ela cuida, mais a vida devolve em forma de paz, de sorriso, de um bom dia sincero.
Então valorize. Valorize o seu vasinho torto. Aquilo que só você entende. Que pode ser pequeno para os outros, mas é imenso aí dentro.
VIVA COM INTENSIDADE. VEJA A GRANDEZA MESMO NO QUE PARECE PEQUENO.
Gratidão sempre



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