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O Café Requentado do Divino

há 5 dias
2 min de leitura

BOM DIA!


Divino reflete sobre o respeito e o poder das palavras enquanto toma café em sua cozinha, sob a luz acolhedora da manhã.

Divino tinha fama no bairro de falar alto e rápido. Na barbearia, no ponto, no grupo da família. Era brincalhão, de coração leve, mas às vezes a língua saía na frente do juízo.


Certa tarde ele viu um vídeo e soltou uma piada sobre fé. Riu primeiro. Depois o silêncio caiu. O sobrinho parou o jogo no celular. O Seu Rômulo, que estava no banco ao lado com o terço no bolso, só balançou a cabeça.


Divino sentiu na hora. Não foi ninguém que repreendeu. Foi aquele aperto conhecido no peito: o de ter escorregado.


Chegando em casa, com a cozinha quieta e o café já frio na caneca, ele parou.

"Desrespeitar crença é tão pernicioso quanto o pecado. Eu falei, errei, me arrependi e não pretendo repetir. Não se brinca com as coisas de Deus."


Não fez promessa grande. Invocou o Pai, o Filho e o Espírito Santo do jeito que aprendeu criança, e ficou ali. Porque o bom do pecador é essa certeza: o perdão do Criador não tem condição.


No dia seguinte Divino voltou à rotina. Cumprimentou o Seu Rômulo pelo nome, perguntou do neto, e quando puxaram assunto para provocar ele só sorriu e mudou de assunto. Respeitoso, educado, fino.


Antes de apagar a luz ele lembrou: Deus responde do jeito que você O invoca. E no fim das contas Ele quer uma coisa só da gente: que a gente seja feliz e não pese na vida de ninguém.

Divino requentou o café. Dessa vez estava melhor que o de ontem.


O MUNDO É COMO UM AQUÁRIO DE ÁGUA RALA E NÓS COMO PEIXE. CUIDADO, MORREMOS PELA BOCA.


Gratidão sempre

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