O Improviso de Quem Aprendeu na Ausência
- 16 de abr.
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BOM DIA!

Nem toda ausência é percebida como aprendizado no momento em que acontece.
Eu vivi isso.
Fiz parte de uma geração que voltava da escola e encontrava a casa vazia. Preparava o próprio lanche, resolvia pequenas coisas, tomava decisões simples que, na época, pareciam apenas parte do dia.
Não era escolha. Era necessidade.
Naquele tempo, não existia alguém para perguntar a todo momento, nem respostas prontas. A gente aprendia fazendo. Errava, corrigia, seguia.
Hoje, olhando para trás, entendo o que aquilo construiu.
A vida ensinou cedo a lidar com o imprevisto.
E isso ficou.
Quando escolhi a advocacia, especialmente o tribunal do júri, não percebia ainda o quanto essa formação faria diferença. O júri não é um ambiente de controle. É um ambiente de reação.
Ali, surgem situações que você não estudou, não previu, não tem como antecipar. Um depoimento inesperado, uma pergunta fora do roteiro, uma reação do plenário.
E você precisa decidir na hora.
Não há pausa.
Não há ensaio.
É ao vivo.
Com o tempo, percebi que aquilo que parecia improviso, na verdade, era resultado de uma vida inteira lidando com incerteza. A capacidade de se ajustar, de pensar rápido, de não travar diante do inesperado.
O mesmo acontece hoje no Palco do Júri.
Levar o tribunal para dentro de um teatro, com transmissão e presença ao vivo, exige exatamente isso. Não existe controle absoluto. Existe preparação, mas existe, principalmente, a capacidade de reagir.
E essa capacidade não nasce ali. Ela foi construída muito antes. Naquelas tardes em que não havia ninguém para resolver por mim.
O que parecia ausência virou preparo. O que parecia vazio virou estrutura.
E, no fim, faz sentido.
Porque a vida não entrega tudo pronto. Ela coloca a pessoa diante da situação. E espera a resposta.
Gratidão sempre.



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