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O Dicionário da Dona Lúcia

3 de out.
1 min de leitura

BOM DIA!


Dona Lúcia estuda na padaria com um caderno, enquanto conversa sobre a palavra “exceção” e o valor de aprender.

Dona Lúcia, da padaria da esquina, tem 71 anos e voltou a estudar esse ano. Está no EJA, na turminha da noite.


Outro dia ela me chamou no balcão e disse, baixinho, como quem confessa um segredo: "Meu filho, como é que escreve 'exceção'? Com S ou com Ç?"


Ela não teve um pingo de vergonha. E eu pensei na hora: quanta gente com diploma na parede morre de medo de fazer essa mesma pergunta.


Aprendi sobre humildade com ela.


Tem gente que prefere viver com o ego inflado, sustentando uma mentira, do que dizer com simplicidade: "Eu não sei, me ensina?" Acha que perguntar humilha. Quando na verdade, o que humilha é continuar sem saber por orgulho.


Quando eu pergunto aquilo que não sei, eu não estou dizendo que sou incompetente. Estou sendo inteligente o bastante para entender que, a partir daquele minuto, aquilo que era desconhecido passa a ser meu. Vira meu saber. Vira minha ferramenta.

E quem pergunta erra menos. Evolui mais rápido. Vive mais leve.


Porque no fim das contas, o conhecimento é a única riqueza que ninguém pode roubar da gente. Podem tirar o emprego, o dinheiro, até a casa. Mas o que você aprendeu? Isso é tão seu, mas tão seu, que vai com você pra onde você for.


QUE A GENTE NUNCA PERCA A CORAGEM DE DIZER "NÃO SEI".


Gratidão sempre

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