O Chá das Cinco de Dona Cícera
BOM DIA!

Dona Cícera acordava cedo, todo dia, às seis. Bom dia gritado no portão, vassoura na calçada e um cuidado exagerado para que a rua toda gostasse dela.
Ela fazia o bolo do jeito que a vizinha da direita gostava, sem açúcar. Cortava o cabelo do jeito que a vizinha da esquerda achava bonito, curtinho. Dizia amém para tudo, mesmo quando o coração dizia não.
Até que numa sexta-feira qualquer, enquanto coava o café, ela entendeu. Foi simples.
Ela seria julgada de qualquer jeito. Se fizesse o bolo doce, reclamariam. Se fizesse sem açúcar, também. A busca por agradar a todos, além de impossível, era inútil. E cansativa.
Naquele dia, ela fez o bolo do jeito que ela mesma gosta: com bastante erva-doce. Não precisava que a rua inteira aplaudisse, só precisava se perguntar: isso que estou fazendo é bom? Faz sentido para o meu coração?
Algumas pessoas torceram o nariz. Se afastaram. E pela primeira vez, Cícera não correu atrás. Entendeu que era um filtro natural. As que gostavam dela de verdade ficaram ali, na varanda, comendo o bolo de erva-doce e rindo com ela.
Porque no fim, é preferível não ser compreendida do que trair a si mesma. Só encontra a felicidade quem é fiel à própria verdade.
EXPERIMENTE SER VOCÊ MESMO ONDE QUER QUE ESTEJA. É BOM.
Gratidão sempre



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