O Amor Que Vale a Pena
BOM. DIA!

Dona Sílvia me disse isso numa terça-feira chuvosa, enquanto coava o café.
Ela tem 68 anos e está noiva de novo. O noivo é o Seu Antônio, viúvo da rua de baixo. Eles se conheceram na fila da padaria. No começo era só um bom-dia. Depois um pão a mais que ele trazia para ela. Depois um banco dividido na praça.
Eu, com minha pressa de gente nova, perguntei: "Mas não tá tudo muito devagar, Dona Sílvia?"
Ela riu, com aquele riso de quem já viveu o suficiente para não ter pressa de nada.
"Minha filha, o amor leva tempo, mas vale a pena."
E me explicou que amor não é como micro-ondas. Não fica pronto em três minutos.
O amor dela com o Antônio levou tempo para aprender onde dói o joelho dele quando esfria. Levou tempo para ele aprender que ela gosta do café sem açúcar, mas com duas gotas de conversa.
Leva tempo para confiar de novo depois dos 60. Leva tempo para entrelaçar duas histórias que já estavam quase terminadas e descobrir que ainda cabe um capítulo novo.
Mas vale a pena, ela disse. Vale a pena cada tarde esperando ele passar na janela. Vale a pena cada silêncio confortável na varanda. Vale a pena porque agora, finalmente, ela não tem alguém para correr ao lado. Ela tem alguém para caminhar junto.
Saí de lá entendendo que a gente sofre tanto porque quer colher a fruta ainda verde. O amor bom mesmo é aquele que a gente deixa amadurecer.
E quando amadurece, fica doce.
EU AOS 61 QUERO SER MÉDICO QUERO SER EXEMPLO. E VOCÊ, TEM QUANTOS ANOS E QUER O QUÊ?
Gratidão sempre



Andar sabendo onde ir, aprender a sorrir e ter alguem para amar é tudo que precisamos de fato.