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Nem todo Desvio é Perda

  • 1 de mai.
  • 2 min de leitura

BOM DIA!


Pessoa caminhando por estrada sinuosa, saindo da chuva e do terreno irregular rumo à luz no horizonte.

A vida não desenha linha reta na régua. Se desenhasse, talvez até fosse mais fácil, mas perderia a poesia.


Ela prefere o rabisco. Sobe morro, desce ladeira, tropeça em pedra, encontra sombra de árvore. E nenhum desses trechos é casa definitiva. São só estações e, muitas vezes, são elas que nos moldam.


Outro dia acordei com a sensação de que o mundo tinha desabado só no meu quintal. Perda aqui, engano ali, uma dor insistente que não pediu licença para entrar. Desilusão também, daquelas silenciosas, que chegam sem bater. Veio a pergunta automática: “por que comigo?”.

Depois entendi: não é comigo. É com todo mundo que está vivo. Porque viver não é escolher entre sol ou chuva é aprender a caminhar sob os dois, às vezes no mesmo dia.


O ponto de virada, esse que não vem anunciado, é perceber que não dá para confundir o buraco com a estrada inteira. O buraco assusta, suja, faz a gente perder o equilíbrio. Mas ele não define o percurso. O caminho é maior. Sempre foi.


E, curiosamente, o destino não se ofende com os desvios. Ele só espera que a gente continue.


Outro exemplo disso está ali, na vida comum que passa diante dos nossos olhos. Pense na Ana, que perdeu o emprego depois de anos de dedicação. No começo, foi só queda: contas acumulando, autoestima abalada, silêncio incômodo em casa. Parecia o fim da estrada.


Mas, no intervalo entre uma tentativa e outra, ela redescobriu algo antigo, um talento esquecido, uma habilidade que nunca teve tempo de explorar. Começou pequeno, sem certeza, quase sem coragem. Hoje, trabalha com aquilo que antes era só possibilidade.


O buraco não era o fim. Era curva.


Às vezes, o que chamamos de “fase ruim” é só um trecho mal iluminado de um caminho bonito. E a beleza dele não está em ser perfeito está em ser vivido.

Mas existe uma condição silenciosa: para entender é preciso continuar.

Um passo. Depois outro. Mesmo quando falta vontade. Mesmo quando o horizonte parece distante demais.


Porque vitória não chega por avenida asfaltada e sem quebra-molas. Ela vem por estrada de terra, com poeira no rosto e o coração insistindo em seguir.


E quando a gente atravessa com presença, até o cansaço vira memória, daquelas que um dia a gente conta com orgulho.


Então, respira.

Agradece o trecho, inclusive o esburacado. Ele também desenha o mapa.


COMO ANDA O SEU CAMINHO?


Gratidão sempre

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Edna Pinato
01 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

O mais importante de tudo mesmo é viver e aprender.

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