top of page

As Batalhas Que a Paz Nos Ensina a Não Travar

  • 14 de mai.
  • 1 min de leitura

BOM DIA!


Ilustração editorial em estilo flat cartoon mostrando uma mulher entregando café ao porteiro de um prédio em manhã chuvosa, simbolizando empatia, paz e humanidade cotidiana.

Naquela manhã, a mensagem chegou no grupo às 7:03. Letra maiúscula, como quem grita sem som:


NÃO DEIXAMOS DE SENTIR OU DE NOS IMPORTAR. É QUE COM O TEMPO NOS TORNAMOS MAIS SELETIVOS NAS NOSSAS BATALHAS...


Eu li enquanto o café esfriava. Tinha brigado com o porteiro mais cedo. Ele não quis segurar o portão e a chuva me pegou de jeito. Passei dez minutos ensaiando a reclamação que faria ao síndico. Ia ser a minha batalha da manhã.


Aí desci pra pegar o jornal. O porteiro, seu Fernandinho, estava com os olhos vermelhos. "Perdi meu cachorro ontem, moça. Quinze anos comigo". Ele me entregou a correspondência com a mão trêmula e pediu desculpa pelo portão.


Na hora entendi a mensagem do grupo. Não deixamos de sentir. Só que com o tempo a gente escolhe onde gastar a alma. Eu não tinha controle sobre a chuva, sobre o portão, sobre a dor do seu Fernando. Mas tinha controle sobre virar aquele dia numa guerra ou num gesto.


Devolvi a reclamação não feita. Peguei dois cafés na padaria. Deixei um na portaria. Ele não disse nada, só assentiu.


Aceitar que não controlamos as ações do outro, nem a chuva, nem a vida que leva embora os cachorros, nos deixa espaço pra decidir o que fazer com o que sobra. E aos poucos a gente aprende: a melhor decisão é sempre aquela que não compromete a nossa paz.

O meu café esfriou. O dele estava quente.


Gratidão sempre

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page