A xícara de Dona Lúcia
BOM DIA!

Dona Lúcia me ensinou isso sem nunca ter dito uma frase tão bonita.
Ela tem 68 anos, viúva, dois filhos criados, e todo dia às seis da manhã varre a mesma calçada em Alexânia como se estivesse varrendo a vida. Foi ela quem me disse, enquanto eu reclamava de um amigo que nunca responde, de um parente que só critica, de um amor que só pede:
"Meu filho, ninguém merece o desgaste mental de ter que convencer o outro a mudar."
Ela parou a vassoura, olhou pra mim por cima dos óculos e completou:
"Se está te incomodando, te fazendo infeliz, te desmerecendo, mude você."
Eu, acostumado a tese, a argumento, a debate, queria rebater. Mas Dona Lúcia não estava para debate. Ela estava para a vida.
"Não é o seu papel convencer o outro do seu valor. Você vale mesmo quando o outro não enxerga. E olha, ninguém é obrigado a mudar por você, não. Mas você também não é obrigado a manter por perto quem se sente confortável te negligenciando."
Fiquei quieto. Porque é isso. A gente perde um tempo danado tentando encontrar justificativa para falta de empatia. "Ah, ele está estressado." "Ah, ela teve uma infância difícil." "Ah, é o jeito dele." E enquanto a gente justifica, vai se diminuindo.
Dona Lúcia voltou a varrer e arrematou, como quem reza:
"Começa a se tratar do jeito que você gostaria de ser tratado. Às vezes, o que a gente precisa não é de mais um pouco de amor do outro. É de umas doses extras de amor-próprio."
E ela tem razão. Quando a gente se quer bem de verdade, faz uma faxina natural. Não precisa expulsar ninguém. A própria energia limpa a casa. À nossa volta só fica quem nos quer bem também.
ENTÃO, BOM DIA PRA VOCÊ QUE HOJE DECIDIU SE ESCOLHER.
Gratidão sempre



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