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A xícara de Dona Lúcia

23 de set.
2 min de leitura

BOM DIA!


Dona Lúcia segura a vassoura ao lado de uma xícara de café em uma manhã tranquila em Alexânia.

Dona Lúcia me ensinou isso sem nunca ter dito uma frase tão bonita.


Ela tem 68 anos, viúva, dois filhos criados, e todo dia às seis da manhã varre a mesma calçada em Alexânia como se estivesse varrendo a vida. Foi ela quem me disse, enquanto eu reclamava de um amigo que nunca responde, de um parente que só critica, de um amor que só pede:


"Meu filho, ninguém merece o desgaste mental de ter que convencer o outro a mudar."


Ela parou a vassoura, olhou pra mim por cima dos óculos e completou:


"Se está te incomodando, te fazendo infeliz, te desmerecendo, mude você."


Eu, acostumado a tese, a argumento, a debate, queria rebater. Mas Dona Lúcia não estava para debate. Ela estava para a vida.


"Não é o seu papel convencer o outro do seu valor. Você vale mesmo quando o outro não enxerga. E olha, ninguém é obrigado a mudar por você, não. Mas você também não é obrigado a manter por perto quem se sente confortável te negligenciando."


Fiquei quieto. Porque é isso. A gente perde um tempo danado tentando encontrar justificativa para falta de empatia. "Ah, ele está estressado." "Ah, ela teve uma infância difícil." "Ah, é o jeito dele." E enquanto a gente justifica, vai se diminuindo.


Dona Lúcia voltou a varrer e arrematou, como quem reza:


"Começa a se tratar do jeito que você gostaria de ser tratado. Às vezes, o que a gente precisa não é de mais um pouco de amor do outro. É de umas doses extras de amor-próprio."


E ela tem razão. Quando a gente se quer bem de verdade, faz uma faxina natural. Não precisa expulsar ninguém. A própria energia limpa a casa. À nossa volta só fica quem nos quer bem também.

ENTÃO, BOM DIA PRA VOCÊ QUE HOJE DECIDIU SE ESCOLHER.


Gratidão sempre

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