A Moça Que Aprendeu a Se Regar
BOM DIA!

Toda quinta de manhã a Ana faz a mesma coisa: levanta, põe água no fogo para o café e vai até a varanda ver as suas samambaias.
Hoje ela estava diferente. Mais quieta. Ontem tinha sido um dia difícil, daqueles em que a gente sente tudo fora do lugar.
Ela me disse, segurando a caneca com as duas mãos:
"Eu queria tanto que já tivesse passado. Essa dor, essa ansiedade... eu queria arrancar pela raiz."
Eu olhei para ela, para as plantas dela, e entendi.
Ana cuidava daquelas plantas como quem cuida de si, sem saber. Todos os dias um pouquinho de água, uma folhinha seca tirada, um vaso mudado de lugar para pegar mais sol. Nenhuma delas cresceu do dia para a noite.
Expliquei isso para ela.
A cura não é instantânea, Ana. A cura é um processo. A gente precisa ter paciência com as próprias emoções. Tem dor em nós que é funda, tem hábito que é antigo, tem crença que a gente alimentou por uma vida inteira.
Um machucado não cicatriza em segundos. Uma planta não floresce porque a gente gritou com ela para crescer mais rápido.
Leva tempo. E leva trabalho.
Mas os resultados chegam.
Hoje, na sua quinta-feira, se o dia ficar ruim de novo, não se esqueça: se regue. Com paciência. Com afeto. Com aquele café quentinho feito com calma.
A cura é algo que floresce em nós aos poucos. Sem fazer barulho. Sem que a gente perceba, a gente já está crescendo.
E a Ana sorriu. Regou as samambaias. E se regou também.
Abençoada quinta-feira para você, Ana. E para todos nós que
estamos florescendo.
E NÃO SE ESQUEÇA DE REGAR. DE SE REGAR.
Gratidão sempre



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