A Força que Não Desiste
BOM DIA!

Toda manhã, às seis em ponto, o Seu Antônio abre a padaria da esquina. Ele tem 62 anos, duas filhas que moram longe e um joelho que estala mais do que a porta do forno.
Hoje ele chegou mais cedo ainda. A conta de luz veio alta, o forno deu problema na semana passada e ontem o filho do vizinho pediu dinheiro emprestado e ele não pôde ajudar. Dava pra ver no rosto dele aquela vontade miúda de desistir, sabe? Aquela que sussurra "fecha hoje e descansa".
Enquanto amassava o pão, ele ficou olhando pela vitrine a rua ainda escura. E foi aí que apareceu ela.
A força.
Não é força de músculo. É a outra. Aquela que mora aqui dentro e resiste às nossas fraquezas.
É mais forte do que a vontade de desistir. Mais forte do que os problemas que chegam todos juntos, como ônibus lotado.
Seu Antônio limpou a mão no avental e sorriu sozinho. Lembrou da mãe dizendo quando ele era menino: "filho, a gente veio pra vencer, mesmo que o vento esteja contra". Ele repetiu baixinho, como quem reza: "Eu vim pra vencer, mesmo que os ventos estejam contra".
A força dele tem nome: fé.
É ela que acende a luz da padaria antes do sol. É ela que faz ele colocar mais um pãozinho na forma "vai que aparece alguém com fome". É ela que vai levar ele a lugares que, para muita gente, parecem impossíveis. Um negócio próprio que virou ponto de encontro do bairro. Netos que visitam nas férias. Mesas cheias num domingo.
Quando a gente enxerga a vida pelas lentes da fé, o impossível já não tem a última palavra. A última palavra é do dia seguinte. Do cheiro de pão quentinho. Da porta que abre.
Às sete, o primeiro cliente entrou. Era eu. Ele serviu o café, me entregou o pão na sacola de papel e disse:
"Hoje tá difícil, mas vai dar certo. Tenho fé."
Saí dali com o café na mão e o peito mais leve.
TENHA FÉ. HOJE VAI DAR CERTO.
Gratidão sempre



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