Quando Parar Não É o Fim, Mas o Começo
- Valdivino Clarindo Lima

- 24 de jan.
- 3 min de leitura
BOM DIA!

24 de janeiro de 2026
Era uma manhã de domingo.
Eu e minha esposa estávamos sentados na varanda de casa, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, uma cidadezinha próxima a Porto Seguro.
À nossa frente, o mar se confundia com o céu de tão azul. O horizonte quase desaparecia, como se ambos fossem uma coisa só.
Naquele momento, a conversa era leve e íntima. Falávamos de nós mesmos. Das nossas vidas. De onde saímos e de onde chegamos.
Já haviam se passado 61 e 47 anos de nossas histórias individuais. Desses, 27 anos vividos juntos. Trinta e quatro anos de advocacia. Mais de dois mil processos. Aproximadamente quatrocentos júris realizados, em praticamente todos os estados brasileiros, inclusive ali, naquele mesmo chão baiano onde estávamos, talvez perdidos… ou talvez finalmente encontrados nesse balanço da vida profissional.
Foram tantas batalhas enfrentadas.
Tantos caminhos percorridos.
E, finalmente, ali estávamos: juntos. Vitoriosos.
Foi então que rompi o silêncio:
- Hora de parar.
Minha esposa desviou os olhos daquele cenário magnífico e me encarou, curiosa.
- Como assim?
Respirei fundo e disse:
- Estou cansado. Me sinto ultrapassado. Vivi a época da máquina de escrever, das cópias com papel carbono, do computador… e agora do Google à inteligência artificial. É hora de parar.
Ela sorriu, em tom de brincadeira:
- Dormiu mal? Teve pesadelos?
E, logo em seguida, ficou séria:
- O homem jamais será substituído pela máquina. A máquina é criação do homem, limitado, em detrimento da criação de Deus. A diferença está na alma. É ela que nos leva à empatia.
Continuou, com firmeza:
- Tenha certeza: a máquina não conforta o homem. Por mais tecnológica que seja, no corredor dos tribunais ela não se dirigirá ao cliente e à família aflita oferecendo consolo. Assim como, na sala de cirurgia, quem transmite segurança e esperança ao paciente é o médico, não o robô que auxilia o procedimento.
Entendi a metáfora. Mas insisti:
- Já dei minha contribuição à sociedade. Cumpri meu papel com esmero e dedicação. É hora de parar.
Ela me olhou longamente e respondeu, agora sem brincadeira:
- Seria hora de parar se existisse um meio de exportar todo o seu aprendizado, toda a sua experiência de vida, para quem hoje te assombra: a inteligência artificial.
Fez uma pausa e completou:
- Isso não é possível. Pelo menos por enquanto. E é sua responsabilidade deixar esse legado. Antes de pensar em parar, pense nos alunos do passado. Seus alunos, lembra? Hoje profissionais de sucesso. Muitos, hoje, seus colegas de profissão. Eu, por exemplo.
Sorri.
- Verdade. Você foi uma excelente aluna. Superou o mestre. É melhor do que eu. Ainda bem que me casei com você.
Rimos juntos.
Mas ela ainda não havia terminado:
- Se quer realmente parar, antes transfira tudo o que acumulou ao longo dos anos. Volte à sala de aula. Doe-se. Permita-se. Só assim terá o meu aval.
Aquelas palavras me tocaram profundamente. Pensei. Refleti. E, finalmente, decidi.
Voltei da praia decidido a não parar. Mas a aprender e a ensinar.
Evoluir nem sempre é seguir em frente. Às vezes, é recomeçar em outro ciclo. Em outra época. Sempre há uma nova maneira de ver as coisas. E de senti-las.
Tenha um excelente dia.
Não pare. Não desista. Prossiga. Transforme-se. Evolua.
Você é insubstituível.
Você é único.
Você não é criatura.
Você é filho de Deus.
Gratidão sempre!



Coram Deo é uma expressão em latim que significa "perante a face de Deus" ou "na presença de Deus".
SUCESSO NA NOVA JORNADA, MEU VELHO E QUERIDO AMIGO DE MAIS DE 1/4 DE SECULO.
Diálogo bonito ente vocês , enriquecedor, coisa rara de se ver hoje entre casais. Casal inteligente, que expressa o amor a vida com Deus e ao trabalho juntos. A Dra Edna sempre se destacou, sempre mostrou que chegaria longe, hoje é uma advogada de sucesso com o apoio de seu professor 24h, o Dr Valdivino Clarindo Lima. E, esse grande profissional da Lei hoje já dá sinais que o espaço onde trabalha já está pequeno para ele e logo estará dominando uma nova versão de si , expandindo e compartilhando conhecimento por aí com uma ajudinha da IA. Dr Valdivino devo concordar com a sua linda esposa que o infinito é seu, ocupe a sua cadeira de catedrático já !!!
Muito sabia sua esposa. Compartilhar o saber é condição inarredavel para a evolução.