O Medo Mata a Mente
- Valdivino Clarindo Lima

- 27 de jan.
- 3 min de leitura
Bom dia.

27 de janeiro de 2026
Ao sair pela porta do escritório, já no final da tarde, deparei-me com um casal de olhar cansado, semblantes abatidos. Não era apenas cansaço físico. Era cansaço mental - aquele que nasce quando a mente já não encontra saída.
Perguntei, com simplicidade:
— Tudo bem? Foram atendidos?
— Sim - responderam em uníssono, como se tivessem ensaiado.
Um deles completou:
— Dia difícil… a essa hora, em um escritório de advocacia, o senhor pode imaginar.
Imaginei. E imaginei bem.
Quando alguém precisa de um advogado criminalista, a situação nunca é boa. Não importa se a pessoa é ré, vítima ou assistente de acusação. Em qualquer dessas posições, há sempre dor, ruptura e perda. No universo criminal, todos são vítimas de algo - de um ato, de uma injustiça, de uma falha humana.
A mente, nesses momentos, entra em estado de alerta máximo.
E o medo assume o comando.
O medo é um inimigo silencioso da mente. Ele assusta e desorganiza o pensamento. Quando a mente está dominada pelo medo, a pessoa perde clareza, perde discernimento, perde a capacidade de agir conscientemente. Passa a reagir, não a escolher.
Por isso, parei o assunto ali mesmo e procurei acolhê-los.
— Acalmem-se - disse. - As dificuldades não pedem licença. Elas chegam sem avisar. Chegam para todos.
Todo mundo que a gente conhece está passando, ou já passou, por experiências dolorosas. O problema não é a existência da tempestade, mas o estado mental com que tentamos atravessá-la.
Quanto maior o medo, menor a capacidade de ação consciente.
Nesses dias, expliquei, é preciso permitir que a fé carregue aquilo que a mente, sozinha, não dá conta. A fé não elimina o problema, mas restaura a mente, devolve direção, devolve eixo.
Eu, que convivo diariamente com a tempestade alheia, aprendi que ninguém atravessa esses momentos apenas com a própria capacidade. Por isso, entrego ao nosso Advogado Maior aquilo que ultrapassa o alcance da razão humana.
O medo, quase sempre, é sinal de que estamos olhando apenas para nossas limitações - e não para a Fonte que nos sustenta.
— Vocês estão aqui - continuei. - E mesmo que não estejam preparados para enfrentar esses dias inesperados, não há nada que não possamos suportar quando nos voltamos para Aquele que é a nossa força.
Há algo profundamente transformador quando alguém é acolhido com compaixão verdadeira. A compaixão não resolve o problema jurídico, mas resolve algo essencial: ela reorganiza a mente do outro. Quando alguém se sente visto, compreendido e acompanhado, o medo perde força. A pessoa se sente mais valente. Mais capaz de agir conscientemente.
A compaixão devolve coragem. E coragem é o primeiro passo para atravessar qualquer tempestade.
Estamos aqui - como profissionais, sim - mas antes disso, como seres humanos conscientes de que a mente precisa estar em ordem para que qualquer solução seja possível.
Vamos ajudar a carregar o fardo.
E juntos…
Seremos vencedores.
O casal concordou. Conseguiram esboçar um sorriso. Não porque o problema havia desaparecido, mas porque a mente já não estava dominada pelo medo. Aliviados, se foram.
Abençoado seja o dia de hoje.
Se estiver tranquilo, agradeça.
Se estiver tempestuoso, ajuste o rumo.
Não pare!
A ação consciente nasce de uma mente em paz.
E a vitória é consequência desse estado interior.
Gratidão sempre.



Nao se envolver emocionalnente, se posicionar compassivamente.