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Mudar exige esforço

  • Foto do escritor: Valdivino Clarindo Lima
    Valdivino Clarindo Lima
  • 18 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jan.

BOM DIA!


Pessoas assistindo à palestra sobre o Coletivo GDM Gestão da Mudança

18 de janeiro de 2026


Durante semanas, talvez meses, ouvi os burburinhos.

Fofocas, especulações, palavras enviesadas, todas girando em torno daquele nome: GDM. Gestão Da Mudança.


Era sempre alguém que "ouviu dizer", que "tem certeza", que "não é de Deus".

Gente que nunca pisou lá, mas fala como se morasse dentro. Aqui em Alexânia, basta algo fugir um pouco do comum para virar ameaça. E o novo, todos sabemos, assusta.


Então ontem eu fui. Fui lá, pessoalmente, com o único objetivo de desfazer qualquer sombra que a ignorância coletiva tivesse tentado lançar sobre mim.

Fui ver com os meus olhos. Escutar com os meus ouvidos. Sentir com o meu corpo.


Logo que cheguei, fui acolhido com gentileza e convidado a assistir a uma palestra pública. Quem falava era a reitora da GDM aqui em Alexânia. Voz firme, mas serena. Nenhum tom de imposição, nenhuma promessa mágica. Só ideias. Experiências. História.


Uma história de 36 anos, iniciada em Manaus por um grupo de quatro pessoas que não buscava glória nem holofote, apenas um jeito diferente de estar no mundo. De lá pra cá, esse movimento se espalhou, chegou a este nosso canto goiano e, como esperado, foi recebido com portas meio abertas, meio fechadas. Curiosidade de uns, desprezo de outros. Medo disfarçado de certeza e julgamentos preconceituosos.


Mas veja: "Gestão Da Mudança" incomoda mesmo.


Porque mudança não é discurso. É processo. É perda. É renascimento.

Enquanto ouvia a reitora, algo em mim se organizava em silêncio. Ela falava de transformação individual como semente de qualquer ação coletiva. De ética como prática cotidiana, não como conceito. De escuta ativa como um caminho de saúde pessoal, relacional, institucional.


Gravei tudo. Está aqui, guardado, para reler sempre que a confusão tentar voltar.


Voltei pra casa leve, mas não porque ouvi o que queria.

Voltei leve porque deixei de carregar o peso de uma opinião que não era minha.

E mais: porque percebi que quem se dedica a conhecer algo de verdade, mesmo que depois decida não concordar, já está fazendo um trabalho de mudança. E isso, em tempos de opiniões descartáveis, é revolucionário.


Compartilho com vocês o que registrei da palestra:


Palestra por Dra. Edna Pinato – Reitora do Coletivo GDM | Gestão Da Mudança

A DECISAO QUE REORGANIZA O TODO


"Bom dia.

Na GDM (Gestão Da Mudança), nós partimos de uma constatação simples, mas que muda tudo: nenhum ser humano é uma unidade única e estável.

Nós somos um Sistema. Internamente somos Múltiplos!

Dentro de cada pessoa coexistem múltiplas partes: a que quer avançar, a que tem medo, a que repete hábitos antigos, a que busca aprovação, a que deseja coerência, a que prefere conforto. Todas legítimas. Nenhuma isolada.

O problema começa quando acreditamos que precisamos mudar tudo ao mesmo tempo.

Isso gera paralisia.

Por isso, a Gestão Da Mudança não começa com força, nem com ruptura.

Ela começa com clareza interna.


O primeiro passo da mudança é reconhecer: qual parte de mim está no Trono do comando do meu “Fazer” agora?

Toda ação externa é reflexo de uma hierarquia interna em funcionamento.

Alguém está decidindo dentro de você, mesmo quando você acha que está apenas reagindo.

Na prática, a mudança começa quando uma parte consciente assume a liderança do Sistema interno.

Não é a parte mais animada.

Não é a mais produtiva.

É a parte mais lúcida.

A que habita o Trono Interno do Fazer: o Arquétipo "A Rainha".

Aquela que consegue observar sem se confundir.

Que percebe o medo sem obedecer a ele.

Que escuta a resistência sem permitir que ela dite o rumo.

Quando essa parte decide mudar, algo importante acontece: as outras partes não desaparecem, mas se reorganizam.

Na GDM, nós chamamos isso de busca do "Registro de Dominação".

Quando uma decisão clara se estabelece no centro, as partes internas começam a se alinhar. A impulsividade perde força. A autossabotagem fica exposta. O hábito antigo começa a perder autoridade.

Não por violência interna, mas por liderança.

A proposta prática da mudança é essa: não tentar eliminar partes, mas reposicionar quem decide.


O segundo passo é transformar decisão em micro gestão diária.

Mudança não acontece em grandes gestos heroicos.

Ela acontece na forma como você responde a pequenos impulsos ao longo do dia.

Na prática:

– Quando surge a vontade de reagir, você pausa.

– Quando aparece a desculpa automática, você questiona.

– Quando o velho padrão pede repetição, você escolhe diferente, ainda que de forma mínima.

Esses pequenos atos são comunicados internamente como comando do "Trono do Fazer". E ele é o objetivo da existência de qualquer Sistema: o "fazer melhor".

E o sistema aprende!

Aos poucos, a parte que decide com consciência se fortalece.

E as outras partes começam a seguir.

Não porque foram anuladas, mas porque reconheceram autoridade.


O terceiro passo é sustentar a decisão quando o desconforto aparece.

Toda mudança interna gera instabilidade temporária.

É o sistema antigo tentando se manter.

Aqui, muitas pessoas desistem achando que estão “fazendo errado”.

Na GDM, nós ensinamos o oposto: o desconforto é sinal de reorganização.

A pergunta não é “como evitar o desconforto?”, mas “quem sustenta a decisão quando ele surge?”.


Gestão Da Mudança é isso: manter a liderança interna mesmo quando as outras partes internas pedem retorno ao conhecido.

E quando isso acontece, o efeito externo é inevitável.

As escolhas mudam.

As relações se ajustam.

Os ambientes respondem.

O mundo se reorganiza porque o comando interno mudou.

Não é rápido.

Não é mágico.

Mas é real.

Por isso, nós não prometemos transformação instantânea.

Nós oferecemos método, clareza e responsabilidade.

Porque quando uma parte lúcida decide mudar, o resto do Sistema acompanha.

E é assim, de dentro para fora, que a mudança deixa de ser desejo e se torna prática.

Obrigada.

E que cada um saia daqui hoje com uma decisão clara – não para mudar tudo, mas para assumir, internamente, quem está no comando."

 

Hoje escrevo pra dizer: não acredite no que falam. Vá ver! Não se contente com o eco das vozes que gritam mais alto. Vá escutar onde há silêncio Não se assuste com o que não entende. Investigue!

Talvez você encontre, como eu encontrei, não um dogma, mas uma proposta. Não um milagre, mas uma prática.


E, quem sabe, uma vontade nova de fazer parte de algo maior, mais consciente e, por que não? Mais justo.


A mudança, afinal, não está esperando lá fora. Ela começa quando alguém decide entrar.

 

Gratidão sempre.

3 comentários

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LIVIA VANNUCCI
20 de jan.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Dr. Waldivino, que texto necessário. Admiro sua coragem, seu bem fazer, seu bem dizer e o carinho e abertura para o novo sempre! Um ser que eu admiro muito!

Eu li e me reconheci em cada linha. Em cidade pequena, o “ouvi dizer” vira sentença… e o novo sempre incomoda quem nunca teve coragem de olhar de verdade.

Assim como o senhor, eu também tive a oportunidade de viver o GDM de perto. E posso dizer com sinceridade: mudou a minha vida. Não por promessa, não por discurso, mas por método, consciência e responsabilidade aplicados no dia a dia.

O que a Dra. Edna traz é profundo e real: entender o que está no comando dentro de nós, assumir esse…

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Ilcineia Perroni
19 de jan.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Só conseguir me entender depois que conheci a Gestão Da Mudança, a racionalidade , os metodos aplicados nos ajuda a desvendar os nossos misterios que por muitas vezes nos faz sofrer. Nada como o entendimento a clareza para vc tomar as atitudes corretas não sendo levadas a emoção, a padrões famíliares que só nos trazem insegurança e dores. Viemos nesta vida para ultrapassarmos os nossos bloqueios e sermos Um com o Pai e isso só acontece com aprendizagem, e com " Ora Ção" orar (Fé)e ter açoes verdadeiras, foi isto que nos foi ensinado.E a GDM ensina muito bem como cada um tem que estudar e compreender a sí mesmo, para alcançar o Amor em Sabedoria. Agradeço do fundo …

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Edna Pinato
19 de jan.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Sou, confesso, suspeita para falar desta coluna excepcional - uma coluna que não se limita a informar ou provocar reflexão, mas que cumpre algo mais raro: revela o bem-fazer interior, aquele movimento silencioso que começa no indivíduo e, quase sem alarde, se expande para todos que o cercam.


Ainda assim, não posso me calar diante do que considero uma verdadeira obra-prima de manifestação sensível e intelectual. Um texto gestado por um escritor incomum, desses que sabem reconstituir cenas inteiras apenas com palavras, conduzindo o leitor não pela razão imediata, mas pela experiência - fazendo-o sentir antes mesmo de compreender.


Essas palavras me atravessaram profundamente, doutor Valdivino. Jamais poderia imaginar que, naquela conversa de domingo - tão leve, tão atenta, tão…


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