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A intuição que nos conecta ao invisível

  • Foto do escritor: Valdivino Clarindo Lima
    Valdivino Clarindo Lima
  • 21 de jan.
  • 2 min de leitura

Bom Dia!




Cheguei cedo à cafeteria onde costumo observar o mundo que existe dentro das pessoas. Gosto de reparar nos silêncios, nos olhos que desviam, no jeito que alguém segura a xícara -há sempre uma história ali, esperando ser ouvida.

Foi ali que vi a Júlia.

Estava sozinha, olhando pela janela, o café esfriando à sua frente. Sorriu ao me ver, mas um sorriso que não tinha cor, não tinha brilho. O tipo de sorriso que fala mais do que mil palavras.

Sentei-me em silêncio. Percebi em seu olhar o peso de alguém que permanece em ciclos que já se fecharam há tempos. Seus dedos giravam a alça da xícara com uma ansiedade silenciosa. Foi então que perguntei:

-O que aconteceu com o seu sonho?

Ela respirou fundo. Não disse nada por alguns segundos. E eu continuei, como quem apenas verbaliza o que ela própria já sabia:

-O caminho para o sucesso é longo e tortuoso. Exige-se força, inteligência e determinação. Nada vem de graça.

Seus olhos marejaram. Era como se cada palavra ativasse nela uma lembrança, uma dor esquecida, uma vontade adormecida.

-Tudo começa no sonho, na vontade e no querer - continuei, com calma.  -Jamais desista, respeite os ciclos...

Ela sorriu, dessa vez com mais verdade. E então, como quem retoma o próprio fôlego, disse que estava cansada. Que o mundo parecia exigir demais, e que ela havia esquecido como sonhar.

-Deixe ir o que te desanima e concentre-se, lute, associe-se, fortifique-se e vença - disse a ela, segurando sua mão.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Depois, completando o que o coração dela parecia querer ouvir, eu disse:

-Esse caminho deve ser seguido sem individualismo, porque o seu sucesso atinge a todos que te cercam.

- Vença o seu cansaço, o desânimo que às vezes bate. - Vença inclusive àqueles pobres de sonho, aqueles sem presença, sem brilho, sem cor.
- Pessoas em preto e branco não sonham.

Ela riu com os olhos. Como se enxergasse novamente em si mesma a possibilidade do colorido. Aquela conversa não trouxe uma resposta pronta, mas reacendeu o movimento.

-Não adianta esperarmos mais da vida se permanecemos em ciclos que já se fecharam há tempos.

Júlia entendeu. Precisava mudar. Então eu disse:

-Mude a estratégia se preciso, jamais perca o foco.

-A mudança é uma jornada pessoal e intransferível.

-Ninguém pode viver esse processo no seu lugar.

-Ninguém pode tomar decisões por você, mas depois da decisão tomada, divida- a com aqueles que você ama e confia.

-Não temas em buscar fora o que às vezes não se tem dentro.

Ela assentiu. Com os olhos mais leves, me disse que talvez fosse hora de buscar novos pensamentos, novas atitudes. Talvez até novas pessoas e novos lugares. A xícara de café, antes esquecida, agora parecia parte de um novo plano.

Para que algo novo aconteça de verdade, às vezes basta ser visto. Basta alguém enxergar em nós o que está escondido até de nós mesmos.

Basta que alguém diga, com firmeza e carinho:

-Uma quarta-feira de conquistas e sucesso.

 Gratidão sempre!

1 comentário

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Edna Pinato
22 de jan.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que direcionanento incrivel foi dado para sua amiga... Feliz daquele que tem o privilegio de receber a mensagem certa, na hora certa...

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